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Imagine que você acabou de desembarcar em Curitiba. O céu está daquele tom cinza clássico, uma garoa fina começa a cair e você se vê diante de uma estrutura de concreto maciço que parece flutuar sobre um espelho d’água, encimada por um enorme “olho” de vidro e azulejos amarelos. Você não é um crítico de arte, nunca leu um manifesto cubista e, honestamente, tem receio de entrar em museus e se sentir deslocado diante de uma tela abstrata. Se esse é o seu caso, o Museu Oscar Niemeyer (MON) foi feito exatamente para você. Digo isso porque o MON não é apenas um repositório de quadros; ele é, em si, uma experiência sensorial e urbana.
Muitas vezes, ao organizar roteiros de receptivo aqui na capital paranaense, percebo que o visitante se sente intimidado pela palavra “museu”. Mas a verdade é que o impacto começa muito antes de você apresentar seu ingresso na bilheteria. O espetáculo do lado de fora A primeira razão para visitar o MON, mesmo sendo leigo no assunto, é o chamado “Vão Livre”. Com cerca de 17 mil metros quadrados, esse espaço se tornou o quintal dos curitibanos. Em um final de semana típico, você verá famílias fazendo piquenique, grupos de jovens treinando manobras de skate e dezenas de cachorros correndo pelo gramado adjacente — o famoso “Parcão”. Sentar ali com um café e observar o contraste da arquitetura curvilínea de Niemeyer com o ritmo da cidade já vale o passeio. É um exercício de urbanismo puro. A arquitetura de Niemeyer não pede que você a entenda tecnicamente; ela pede que você sinta o peso do concreto e a leveza das curvas.
A travessia pelo túnel Ao entrar no museu, o ponto alto para quem busca algo além das molduras é a passagem para “O Olho”. Para chegar à torre principal, você atravessa um túnel subterrâneo longo, escuro e levemente inclinado. É uma transição quase cinematográfica. Quando você emerge no salão principal do Olho, a luz que entra pelos vidros fumê e a vista das copas das árvores do Centro Cívico criam uma perspectiva que nenhum museu tradicional consegue replicar. É um dos lugares mais fotográficos da cidade. Se você gosta de registrar boas imagens da viagem, o MON é o seu parque de diversões. As linhas geométricas e os jogos de luz e sombra garantem fotos que parecem profissionais, independentemente do que está exposto nas paredes. Curadoria que conversa com a gente Para quem teme a “arte difícil”, o MON costuma ser muito generoso.
É comum encontrarmos exposições de fotografia documental, design de móveis ou até mostras dedicadas à história da ferrovia Paranaguá-Curitiba — que, aliás, é o prelúdio perfeito para quem planeja fazer o passeio de trem rumo a Morretes no dia seguinte. Há também o Pátio das Esculturas, um lugar onde a arte é tátil e tridimensional. Ali, a barreira do “não toque” ou do “não entendo” cai por terra, pois a escala das obras convida à interação. Dicas de quem vive o dia a dia da cidade Para aproveitar o MON sem pressa e sem a sensação de “obrigação cultural”, aqui vão alguns toques práticos de quem conhece bem a logística local: Logística de roteiro: O museu fica a poucos passos do Bosque do Papa. É o combo perfeito para uma manhã ou tarde. Você conhece a arquitetura moderna de um lado e as casas de troncos da imigração polonesa do outro.