Aquele “bafo de onça” que muita gente aceita como uma característica inevitável da velhice de um cão ou gato é, na verdade, o primeiro sinal de um incêndio invisível. Lembro-me bem do Max, um Poodle de dez anos que chegou ao consultório com uma queixa comum: ele estava “meio devagar” e tinha parado de comer sua ração seca favorita. A tutora achava que era apenas a idade chegando, ou talvez uma frescura seletiva com o paladar. Ao levantar o beiço do Max, o cenário era clássico, mas nem por isso menos preocupante. Os dentes pré-molares estavam cobertos por uma crosta marrom-esverdeada tão espessa que mal se via o esmalte. A gengiva, num tom de vermelho vivo e inchada, sangrou ao menor toque.
O que muitos chamam de tártaro — tecnicamente, cálculo dentário — é muito mais do que um problema estético ou um odor desagradável. É uma colônia vibrante e perigosa de bactérias que ganharam o direito de morar ali. A ponte entre a boca e o coração O grande perigo do tártaro não é o dente cair, embora a perda dentária cause dor e dificuldade na apreensão dos alimentos. O risco real reside na vascularização da boca. A gengiva inflamada pela doença periodontal torna-se uma porta aberta. Imagine que cada vez que o animal mastiga, a pressão exercida sobre o dente infectado empurra microrganismos diretamente para a corrente sanguínea. Uma vez no sangue, essas bactérias — com destaque para as do gênero Porphyromonas — viajam como passageiros clandestinos por todo o corpo.
Elas têm uma afinidade perigosa por tecidos específicos. No caso do Max, após exames mais profundos, detectamos um sopro cardíaco que não existia no ano anterior. As bactérias da boca haviam se alojado nas válvulas do coração, causando o que chamamos de endocardite bacteriana. Mas o estrago raramente para no coração: Rins: Os rins tentam filtrar essas bactérias e os complexos inflamatórios que elas geram, o que pode levar a uma insuficiência renal crônica, especialmente comum em gatos. Fígado: O órgão acaba sobrecarregado ao tentar processar as toxinas liberadas pela infecção sistêmica. Articulações: Sim, até mesmo aquela “manqueira” persistente pode ter origem em focos infecciosos distantes, como uma boca negligenciada. https://petgenoma.com.br/blog/post/qual-a-importancia-da-consanguinidade-e-como-ela-pode-ser-avaliada-por-exame-de-dna